Ponte com o setor produtivo – Vanzolini em Foco Especial de aniversário de 40 anos

Sinergia entre conhecimento teórico e prática marca atuação da Fundação Vanzolini há quatro décadas

Desde o início de suas atividades, a Fundação Vanzolini procurou estabelecer um círculo virtuoso entre a academia e o meio produtivo. Essa interação permite que a Engenharia de Produção esteja em contato constante com a realidade da profissão, o que é fundamental, pois se trata de uma engenharia em que o laboratório é a empresa, seja uma indústria, um serviço, seja um banco. “O que fez a Fundação crescer e se solidificar ao longo do tempo foi o fato de ela sempre estar em movimentos inovadores”, explica o presidente da entidade, Gregório Bouer. A ênfase na difusão da produção teórica é outro aspecto da atuação da Vanzolini. “Um ponto forte da Vanzolini é escoar o conhecimento desenvolvido localmente”, salienta o chefe do Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP, Afonso Fleury.

Assim como as organizações ganham com a aproximação do conhecimento acadêmico, o movimento em busca da inovação também alimenta a atividade teórica de várias formas. “Na parte de consultoria, de projetos específicos de sistemas de produção, a Fundação Vanzolini está sempre em atividade. Isso traz um retorno importante porque permite a interação com o pessoal das empresas, que acaba fazendo indagações que não têm resposta imediata, e isso alimenta pesquisas, pode gerar dissertações e teses”, afirma o presidente do Conselho Curador da Vanzolini, Antonio Rafael Namur Muscat.

Iniciado em 1967, esse diálogo entre a universidade e as empresas rendeu muitos frutos e fez com que a entidade gerida pelos professores do Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP acompanhasse as necessidades do setor produtivo. Nesse processo, surgiram as áreas de atuação, consolidadas pela experiência adquirida através do tempo e pela construção de relações éticas com a Universidade de São Paulo, com a Escola Politécnica, com o Departamento de Engenharia de Produção, alunos e com a sociedade. “O maior patrimônio da Fundação Vanzolini se resume a uma palavra: credibilidade. E credibilidade é uma soma de três parcelas: uma delas é competência, a outra é seriedade e a outra é independência”, resume o ex-presidente da entidade Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto.

Em 1978, foi lançado o primeiro grande curso da Fundação, o Curso de Extensão em Administração Industrial (CEAI). “Com isso, a Fundação Vanzolini contribuiu para uma nova época na área de educação continuada”, declara Antonio Muscat. Segundo ele, a área vem crescendo de maneira sustentável. “Trata-se de algo interessante para a USP, para a Poli, para o Departamento de Engenharia de Produção e para a própria Fundação Vanzolini”, garante.

Nesses quase 30 anos da área, vários cursos foram criados, entre eles, um MBA, um curso novo de Administração de Serviços, um de Qualidade, um de Logística e de Gestão de Projetos, um de Gestão de Projetos para TI. Alguns deles são administrados in company. “Tenho impressão de que essa é uma atividade em que a Vanzolini vai estar sempre envolvida. No estatuto original era objetivo da Fundação disseminar metodologias da Engenharia de Produção, e a primeira forma utilizada, mais imediata, foi oferecer cursos, depois vieram a educação a distância e a certificação. Mas o objetivo é um só: transferir conhecimento”, diz Bouer. “Atualmente, no âmbito da área de Educação, estamos participando de uma série de eventos com universidades da América Latina e da Europa”, conclui.

Outro momento importante da Fundação Vanzolini se deu na participação no Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (PADCT). “Havia vários editais, cada edital correspondia a um tema, e um desses temas era tecnologia industrial básica, normalização, certificação. Resolvemos fazer uma proposta de realização desse trabalho e fomos escolhidos. A partir desse estudo, ficamos com uma reputação bastante forte no cenário nacional”, relata o diretor de certificação, José Joaquim do Amaral Ferreira. “Foi um contrato que teve como decorrência a inserção da Fundação e do Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP na área da Qualidade, na qual fomos pioneiros”, completa Bouer. Dessa atuação, no âmbito do Ministério da Indústria e Comércio, como conclusão do PADCT, nasceu o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP). “Pouco tempo depois, ainda dentro dessa linha, a Fundação resolveu entrar na área de certificação de sistemas”, diz Bouer. Em 1990, ela se tornou a primeira entidade oficialmente credenciada no Brasil para fazer certificações.

De acordo com Amaral Ferreira, com o crescimento da área e a necessidade de internacionalizar o nome da Fundação, a alternativa foi associar-se a uma rede internacional. “Em 1998, conseguimos ingressar na rede IQNet, International Certification Network. Já fizemos certificações em Cingapura, na China, nos Estados Unidos, muito em função dessa rede”, declara. Outro ponto importante na associação é o acesso a produtos novos. Um exemplo interessante é o GoodPriv@cy®, um programa de privacidade de dados, adotado pelos europeus há bastante tempo, que começa a ganhar espaço no Brasil. “Acordos internacionais são importantes, porque as certificadoras estrangeiras dominam o mercado mundial e há muitos interesses em jogo. Se o país não dominar esse know-how, se ele ficar só na mão dos estrangeiros, numa conjuntura política desfavorável a companhia estrangeira pode agir de acordo com interesses da matriz e não da concorrência internacional. Não digo que isso vá acontecer, mas pode”, alerta o diretor. Segundo ele, ter o domínio dessa tecnologia é essencial.

Com relação a novas frentes no âmbito da certificação, o presidente da Vanzolini assegura que trabalho não falta. “Atualmente, estamos investindo seriamente na área da Saúde e da Educação”, completa.

A virada do século trouxe novos desafios, como a criação da área de Gestão de Tecnologias Aplicadas à Educação. “Gerenciamos projetos complexos de natureza de educação continuada e capacitação para professores da rede pública”, explica Guilherme Ary Plonski, membro do Conselho Curador. “A combinação de formatos conhecidos de projetos de ensino e aprendizagem com tecnologias inovadoras que permitem formatos novos é que gera oportunidades. Há espaço grande de desenvolvimento, não vejo dificuldades fortes, a não ser o fato de que qualquer projeto desses, por ser inovador, tem que lidar com um conjunto grande de questões”, afirma. Um dos grandes projetos da Vanzolini na área é o Educarede, que tem como parceiros a Fundação Telefônica e o Centro de Estudos Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). “Nós, da Fundação, cuidamos da parte de gestão da tecnologia”, acrescenta. Outro programa importante é a Rede do Saber. “Hoje temos uma configuração muito utilizada no estado de São Paulo, com 100 bases em que há um potencial de desenvolvimento de atividades de capacitação, envolvendo pessoas do estado todo. Não se trata especificamente de educação a distância, é educação utilizando tecnologia”, conclui Plonski.

Um campo em que a Fundação vem crescendo é o da Tecnologia da Informação (TI). Trata-se de um setor estratégico para o desenvolvimento do país, no qual muitas oportunidades foram perdidas. “Por exemplo, a indústria de informática cresceu por causa da reserva de mercado e, de repente, por uma  penada do governo, acabou de um dia para o outro. Isso é um problema. Então na área de TI hoje o que se discute muito é a questão da exportação de software”, diz Marcelo Schnek de Paula Pessôa, membro do Conselho Curador da entidade. “A Fundação tem muito que crescer no campo de projetos de TI. Temos hoje algumas atividades nessa área, em projetos de consultoria para empresas”, diz. Segundo ele, um investimento para o futuro é a Fábrica de Software. “Por um lado, é um laboratório de pesquisa e por outro é para prestar serviços. A ideia é ter uma coleção de empresas, associadas ou que se interessem pelo que a gente faz em termos de pesquisa e de treinamento”, detalha. “A área de TI é muito dinâmica, está sempre tornando as coisas obsoletas, há necessidade constante de atualização, de desenvolver novos produtos. Atuar nessa área é interessante porque sempre há muita coisa para fazer.”

Como se pode ver, a Fundação Vanzolini ainda vai ter muita história para contar nos próximos 40 anos.

Veja mais em UMA HISTÓRIA QUE MERECE SER CONTADA – VANZOLINI EM FOCO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO DE 40 ANOS

 

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