A hora e a vez da ISO 9001:2015

Preocupada com a transparência e com o rápido esclarecimento de seus clientes sobre as alterações nas normas ISO 9001:2015, assim como sobre as regras de transição a que as organizações estão sujeitas, a Vanzolini organizou encontros sobre os temas com clientes e consultores

O primeiro encontro reuniu clientes da instituição na Universidade de São Paulo, em 25 de setembro, para tratar da ISO 9001:2015, publicada em inglês poucos dias antes. Foram duas turmas, uma no período da manhã e outra no período da tarde, ambas com lotação esgotada. A adesão de gestores e empresários mostra o interesse em promover as adaptações necessárias em seu sistema de gestão para manter-se em dia com a aplicação da norma.

A apresentação ficou a cargo de Alfredo Pavone Ferreira, gerente técnico de certificação, e de Paulo Bertolini, gerente de novos negócios da Diretoria de Certificação da Fundação Vanzolini.

ISO 9001 - 600 -22102015

Alfredo Pavone (à esquerda) e Paulo Bertolini durante evento sobre a ISO 9001:2015

A revisão

Uma pesquisa mundial realizada online entre outubro de 2010 e fevereiro de 2011 com 11.722 respostas de usuários atuais e potenciais de 122 países em 11 diferentes línguas, inclusive português, envolveu organizações de vários tamanhos e setores. Entre os dados mais significados obtidos com o questionário, vale citar a preferência pelo modelo atual de norma única para a ISO 9001; além disso, o mercado não manifestou desejo de uma revisão profunda; os usuários consideram a norma adequada, atribuem os maiores problemas à sua forma de implementação; e também houve detecção de falta de credibilidade nas certificações e desejo de melhorias significativas nos esquemas de avaliação da conformidade.

Levando em consideração que, portanto, na essência a ISO 9001 permanece a mesma, com a manutenção do foco em “confiança na capacidade de a organização fornecer produtos e serviços conformes”, em vez de na “capacidade da organização”, a norma especifica requisitos para um Sistema de Gestão da Qualidade em que uma organização:

a)      necessita demonstrar sua capacidade para fornecer, de forma consistente, produtos e serviços que atendam aos requisitos do cliente e aos requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis; e

b)      pretende aumentar a satisfação do cliente mediante eficaz aplicação  do sistema, incluindo processos para melhoria contínua do sistema e a garantia de conformidade com os requisitos do cliente e os requisitos estatutários e regulatórios aplicáveis.

As alterações

Diante dessa perspectiva, as principais mudanças na ISO 9001:2015 giram em torno de temas como nova estrutura baseada na HLS (Anexo SL, Apêndice 2 da parte 1 das Diretivas da ISO), requisitos para documentação simplificados, requisitos menos prescritivos e mais baseados em resultados pretendidos, novas cláusulas sobre o contexto da organização, pensamento baseado em riscos (consideração de riscos) (risk-based thinking), nova cláusula sobre planejamento de mudanças, nova cláusula sobre controle de mudanças, nova cláusula sobre conhecimento organizacional, contextualização das cláusulas de projeto e desenvolvimento, e maior clareza para o usuário da norma.

Durante sua apresentação, Alfredo Pavone destacou com exemplos práticos diversos pontos referentes às mudanças. Com relação às novas cláusulas sobre o contexto da organização, o gestor buscou salientar a importância de os colaboradores de uma organização conhecerem efetivamente o que a empresa faz e os processos utilizados. “Às vezes o auditor chega à empresa e parece que ninguém sabe direito o que está fazendo lá”, afirmou. “Espera-se que cada colaborador saiba sua função no processo. É como se ele estivesse produzindo o item para si mesmo – ele tem de conhecer as necessidades do usuário. Todos na empresa precisam conhecer bem o seu contexto interno e externo.”

Ao tratar do tema “pensamento baseado em riscos”, Paulo Bertolini fez questão de salientar que a norma não usa mais a terminologia de ações preventivas. “Chegou-se à conclusão de que a questão das ações preventivas era uma grande falácia”, disse. “Hoje o tratamento é mais efetivo e agrega mais valor à empresa. A norma agora passa a exigir que a empresa pense em riscos, mas há várias maneiras de adequar-se ao novo pensamento. Não é preciso implementar a ISO 31000, por exemplo, que é uma norma específica para gestão de riscos, mas vale a pena estudar um pouco de seu conteúdo, beber nessa fonte.”

A apresentação seguiu valorizando uma abordagem didática e o mais prática possível para destrinchar os principais pontos de alterações da nova versão da norma.

Ainda no mês de outubro, outros dois encontros foram marcados para esclarecer as mudanças na ISO 9001 e na ISO 14001.

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